TEOLOGIA EM TEMPOS DE GLOBALIZACAO
Ricardo Rossatto
1. O que é globalização ?
2. Os elementos antecedentes da globalização
3. Fatores da globalização.
4. Características do mundo globalizado.
5. Leis da globalização
6. Consequências da globalização.
7. Teologia em Tempos de globalização
A partir dos recentes processos de mudança, especialmente após a queda do muro de Berlim, 1989, alguns termos passaram a ter uma grande circulação. Mundialização internacionalização da economia, sociedade mundial, globalização são empregados constantemente, embora nem sempre assumam o mesmo significado, dependendo do autor ou do contexto em que é utilizado. Não sendo portanto termos unvivocos convém defini-los adequadamente antes de servirmo-nos deles.
A globalização não pode ser simplesmente vista como a abertura de fronteiras e a criação de um espaço mundial comum. Implica em mudanças mais profundas no cotidiano de nossa vida e especialmente, numa nova ordem econômica internacional em que se desestruturam as formaa tradicionais de Estado e implantam-se novas relações entre os povos. Os diversos aspectos de vida politica, social, econômica obedecem a um novo ritmo. A globalização ocorre de maneira desigual tanto no tempo como no espaço. A cidade, a metrópole demonstram que há uma reordenação. No campo social, as implicações se estendem desde a reorganização da sociedade como um todo, até as politicas de habitação, de saúde, ou da educação dos diferentes paises.
Surge depois da guerra fria...
Importa desvendar quais os efeitos e que medidas concretizam o projeto nos diversos campos e especialmente nas denominadas politicas sociais.
No presente trabalho pretende-se oferecer embora de maneira sintética, uma primeira abordagem do que é globalização para num segundo momento examinar suas causas, e numa terceira etapa abordar as características do fenômeno para, posteriormente, estabelecer as relações com o mundo da educação.
1. O Que é globalização?
O cientista e filósofo ingles Adam Smith ( 1723-1790) afirmou que os dois acontecimentos mais importantes da história da humanidade tinham sido a descoberta das Américas (1492) e do caminho marítimo para as Indias em 1498....
Segundo Kurz ( 1) "a partir da década de 80 um novo sistema de coordenadas surgiu com uma rapidez impressionante, e para além dos limites nacionais surgiu um mercado único e global...Tudo passou a ser negociado a qualquer momento e em toda parte: dividas do Terceiro Mundo, auto-peças, mão-de-obra barata, órgãos humanos..." Por sua vez, para Arruda, "globalização é um processo que se vem desenvolvendo há muitas décadas. Tem como base, o avanço do capital (empresas e bancos) em busca de novos mercados e locais de investimentos para além das fronteiras geopoliticas. Nestes últimos quinze anos este avanço tem se acentuado notavelmente e envolvido além do comércio, e da produção material, os serviços, os bens culturais, e os próprios valores fundamentais do capitalismo contemporaneo, seu projeto de modernidade e de humanidade orientada pela ansia de consumir sempre mais e pela busca através da competição, do máximo bem-estar individual"( 2).
Por sua vez Ianni, afirma que "aqui começa a história novamente. Em lugar de sociedades nacionais, a sociedade global. Em lugar do mundo dividido em capitalismo e socialismo, um mündo capitalista, multipolarizado, impregnado de experimentos socialistas. A noção de tres mundos, centro, periferia, imperialismo, dependência, milagre econômico, sociedade nacional, Estado-nação, projeto nacional, caminho nacional para o socialismo. caminho nacional de desenvolvimento capitalista, revolução nacional e outras, parecem insuficientes ou mesmo obsoletas. Dizem algo, mas não dizem tudo... Os conceitos envelheceram...o real continua a mover-se, a transformar-se" (3).
Geram-se características semelhantes em muitos pontos do planeta fazendo emergir uma sociedade mundial. As estruturas vísíveis, os processos, os acontecimentos mostram que os fenômenos tem uma escala global. A este conjunto de acontecimento pode-se denominar globalização.
2.Quais são os elementos antecedentes da globalização
Sem dúvida a revolução industriàl com a ascensão da burguesia ao poder gera uma nova mentalidade caracterizada pela busca da concretização dos novos ideais. O século XIX implanta muitas ideias liberais.
"O século XIX foi uma época em que se podia acreditar tanto no progresso material comc no sentido moral. Ou seja cada vez mais liberdade política, mais educação para todos etc. As grandes heranças do século XIX foram duas: a criação da sociedade burguesa material, mas também institucional, política, e a crença no progresso permanente" . (Hobsbawm, FSP 22.6.97).
Na raiz da sociedade moderna deve ser colocado o iluminismo com todas as suas caracteristicas e sequelas. O iluminismo representou a secularização do pensamento e consequente sacralização da razão e da ideologia.
O pensador ingles Thompson afirma que no surgimento da sociedade moderna a. ideologias vão surgir "como um sistema secular de crenças que emergiram às vésperas dc abandono da religião e da magia, e que serviram para mobilizar a ação política num mundo libertado da tradição" (Thompson, John B. Ideologia e cultura moderna, Petrópolis, Vozes 1995, p l06.)
Ainda segundo Thompson, o início da era moderna é marcado por alguns fatores
a). "O surgimento do capitalismo industrial na Europa e em outros lugares fo acompanhado pelo declinio das crenças e práticas religiosas e mágicas que eram prevalentes em sociedades pré-industriais. O desenvolvimento do capitalismo industrial, em nivel de atividade econômica, foi acompanhado na esfera da cultura, pela secularização das crenças e práticas e pela progressiva racionalização da vida social" (Thompson, op. Cit. P. 106)
O tipo de sociedade que surge com o desenvolvimento industrial é radicalmente diferente da sociedade pré industrial e pré-capitalista. "Enquanto as sociedades pré-capitalistas eram basicamente conservadoras no seu modo de produção, a sociedade capitalista moderna está constantemente em expansão, modificando-se, transformando-se, a sociedade capitalista moderna desintegra também as tradicões e as formas culturais - incluindo tradições religiosas que eram caracteristicas das sociedades pré-capitalistas.... É esse processo de desmistificação que coloca a humanidade no limiar de uma nova era, uma era que pode ser e será anunciada por uma transformação iluminada da sociedade, isto é, uma transformação baseada num conhecimento partilhado de relações sociais desmistificadas." (Thompson, op. Cit. P. 107)
Max Weber fala no desencantamento do mundo moderno "em que alguns dos valores tradicionais e distintivos da civilização ocidental forma submersos por uma racionalização sempre crescente e por uma burocratização da vida social e ele viu isto com uma certa pena como o destino dos tempos modernos" (Thompson, p. 108).
Na esteira desta mudança, a sociedade que antes tinha seus valores sagrados buscará outras sacralizações: como o trabalho por exemplo. O trabalho que antes tinha um sentido de sacrificio e redenção, passa a ter um sentido em si próprio, uma função em si. Gera-se um novo sagrado O trabalho se separou das outras "esferas da habitação, da cultura da educação, da diversão e da vida em geral. "Ir ao trabalho" passou a significar o mesmo que o antigo "ir à missa", embora a sociedade moderna tenha logo esquecido a origem histórica e religiosa do trabalho... Os homens habituaram-se a imolar suas vidas no altar do trabalho e tomar como felicidade submeter-se a um "emprego" determinado por outrem...Na totalidade global de uma atividade incessante a servidão tornou-se liberdade, e a liberdade servidão, ou seja aceitação voluntária do sofrimento sem outro sentido; senão ele próprio. O "trabalho" substitui-se a Deus, e neste sentido, todos são hoje "servos de Deus" (Kurtz, Robert. Desfecho do Masoquismo Histórico. Folha de São Paulo São Paulo, 20.7.1997 n.5-3)
b). "O declinio da religião e da magia prepararam o campo para a emergência de sistemas de crenças seculares ou "ideologias" que servem para mobilizar ação política, sem referência a valores ou seres do outro mundo. A consciência religiosa e mitica da sociedade pré-industrial foi substituida pela consciência prática enraizada nas coletividades sociais e animada pelos sistemas seculares de crenças" (Thompson, p. 106) Segundo o mesmo autor há portanto uma secularização da vida social e do poder politico que criam as condições necessárias para a emergência e difusão das ideologias, que são entendidas principlamente, como "sistemas seculares de crenças que tem uma função mobilizadora e legitimadora "(Idem ibidem, p. 109). De certa forma as ideologias vinham substituir "a falta de fundamento, uma sensação produzida pela destruição de estilos de vida tradicionais e pela morte de cosmovisões religiosas e míticas" (Idem, ibidem, p. 1 10)
c). A evolução social do séculos XIX e XX não funda mais em motivos religiosos ma secularizados pelas ideologias, que sobrevivem especialmente nos diferentes regimes.
Deve-se neste sentido analisar o importante papel que desempenhou o socialismo como sua cosmovisão de mundo e o que significou a implantação do regime capitalista. Para este viveriamos hoje o fim das ideologias. No contexto do capitalismo as visões ideológicas estariair abrindo caminho para um novo consenso de pragmatismo e desenvolvimento das sociedadec industriais. Como se o atual modelo de desenvolvimento devesse ser o único para todo o planeta. Visa-se contudo a ideologia da reprodução social.
Na raiz da sociedade moderna está uma nova concepção de vida materializada. Popcorr afirma: "antigamente a felicidade fazia parte integrante dos direitos adquiridos no nascimento Quando Thomas Jefferson falava da vida, da liberdade e da busca da felicidade, ele queria dize, que quanto mais uma sociedade nos oferece possibilidades, mais nós seremos felizes. O sistema de valores do pos-pessimismo nos oferecerá a felicidade das possibilidades" ( Popcorn, Faith Le Rapport Pòpcorn. Quebec, Les Editions de L'homme. 1991. n. 31
3. Que fatores desencadearam a globalização?
Evidentemente não são fatores isolados em si que fazem o processo deslanchar, mas conjunto dos mesmos. Aliás estes só podem ser entendidos no contexto do desenvolvimento capitalista do século XX. Os meios materiais que possibilitaram este processo foram:
os satélites: possibilitaram um extraordinário avanço uma vez que viabilizam simultaneidade dos fatos e a sua conexão imediata em todo o mundo nos diversos campos.
a microeletronica, com a revolução da informática, coloca nas mãos dos que dispõem de poder um extraordinária capadidade de informar e formar opiniões, jamais vista anteriormente.
a nova tecnologia em comunicação possibilita que se tome ciência do mesmo fenômeno em uma multiplicidade de lugares passando a elaborar imediatamente um sistema de respostas e análises em diferentes pontos do globo, de modo que mal acontecem os fatos, já surgem as interpretações oficiais dando o devido enquadramento político ou econômico, conforme os interesses dos diferentes grupos.
a nova tecnologia em transportes, não somente reduz as distancias mas viabiliza a colocação de qualquer produto em todo o planeta em um espaço de tempo extremamente reduzido.
queda dos custos energeticos, permite uma grande expansão em termos de consumo e viabiliza um aumento da produção dada a facilidade da conducão da própria energia.
a implantação das redes de telecomunicações, que possibilitam uma nova forma de decisão. "Elas constituem o veiculo mediante o qual fluem as informações, que são hoje o motor principal dos dinamismos hegemônicos. As redes são a condição da globalização e quintessência do meio técnico-científico- informacional... São os nós desta rede que presidem vigiam as atividades mais características deste nosso mundo globalizado" (Santos Milton Geografia, FSP SP 13.4.1997).
Sob o ponto de vista economico podemos destacar como determinantes os seguintec fatores:
a organização dam sistema fnanceiro internacional em conformidade aos interesses determinações dos paises dominantes e de acordo com as novas exigências do sistema capitalistc mundial .
as relações econômicas mundiais (meios de produção, forças produtivas, divisãc internacional do trabalho...) são amplamente influenciadas pelas exigências das empresas conglomerados internacionais transnacionais, mundiais, globais.
a reprodução ampliada do capital com a concentração e a centralização de capitais universaliza-se em uma nova escala especialmente com a queda do socialismo no leste europeu (4).
Embora não seja determinante, como resultado de todo este processo, observa-se que o ingles se tornou a língua universal, a língua franca, a língua cientifica pela qual se expressam dominantes e dominados, centrais e periféricos, capitalistas e socialistas. Impos-se acima de qualquer fronteira seja geográfica ou cultural.
Neste contexto gerou-se portanto uma nova ordem: o mundo globalizado.
A ordem mundial se impôs sobre a ordem local. O mercado gerou marcas e produtoc globais: Coca-cola, Mc Donalds, Reebok, Nike... Os produtos não são mais made in Germany mas made in Mercedes Benz, in Mitishubishi, ou in Siemens.... Muitos destes megaconglomerados possuem um capital superior ao PIB de um grande número de países. Pela nova ordem estão acima das fronteiras
Está surgindo um novo tipo de "cidadão do mundo": não aquele que viaja, conhece, mas aquele que se sente em casa ao consumir as marcas do produtos globais.
4. Caracteristicas do mundo globalizado
.As consequências invisíveis por um lado, por outro determinam o nosso cotidiano. Muitas destas empresas tem maior poder que muitos Estados e acabam por influenciar diretamente nas economias dependentes: emprego, salário, inflação... A absolutização da lógica do mercado impõe exclusivamente a sobrevivência dos competentes (segundo as leis do mercado). O elemento determinante torna-se o tecnológico e as funções se repartem pelo planeta obedecendo a lei básica: Produzir onde os salários são baixos, pesquisar onde as leis são generosas e auferir os lucros máximos onde os impostos são menores.
Segundo Octávio Ianni, o mundo globalizado apresenta sete caracteristicas fundamentais:
E o autor conclue: "Todas estas cartacteristicas da globalização configuram a sociedade universal como uma forma de sociedade civil mundial, promovem o deslocamento das coisas, indivíduos e idéias, o desenraizar de uns e outros, uma espécie de desterritorialzação generalizada." (Idem ibidem. p 59).
5. Quais são as leis da globalizacão?
Primeiramente todo o sistema funciona pelas infovias: a decisão se dá pela simulação de computador e não pelo cérebro humano.
As leis determinantes do sistema são:
Maximização dos lucros,
Maximização da competitividade,
Maximização da produtividade,
Produção fantástica de bens sofisticados,
Alta Tecnologia,
Segundo Ladislau Dowbor, doutor pela Universidade de Varsóvia: "A realidade evolui mais rapidamente do que nossa capacidade de sistematizar sua compreensão. Hoje vivemos uma profunda revolução tecnológica. Nos últimos 20 anos acumularam-se mais conhecimentos tecnológicos do que em toda a história da humanidade" (Desafios da Globalização, Vozes, 1997 p.9e 10).
Produção em massa personalizada: daí a inserção das noticias locais nos grandes jornais.
Geração de necessidades através da propaganda
Criação de uma constelação de empresas em torno de si
Aumento da Exploração da mão-de-obra
Aumento da exploração do meio ambiente
Nova divisão do mundo do trabalho.
Estados Unidos e Europa vão se reservar duas coisas: serviços e conhecimentos
Vão repassar as indústrias: somente a indústria que não emprega.
Tudo será através de Software
Globalização do produto:
um fornece matéria prima, outro costura, outro etiqueta, outro comercializa
Globalização dos fluxos econômicos:
Bolsas fecham en horaàrios diferentes
sugam os lucros econômicos de cada local e levam embora.
saber agrario:
saber fazer
experimental
baseado na transmissão.
Saber industrial:
saber produtivo
conhecimento técnico
invenção: inventores
conhecimento treinamento para usar as armas dos outros.
Inventar: gênio
Saber informático: Preparar indivíduos criativos!
Preparar elite intelectual
Preparar pequenos núcleos que pensam o futuro.
Saber criativo: os outros serão usuários.
Formas de pensar que vão dar saltos qualitativos.
Poder em quem pode manejar a vida:
Novo tipo de trigo e milho.
Novas leis genéticas.
Mexe no gênese.
Mexe com o código genético humano.
Os outros vão aplicar.
O capital deixa de integrar o estoque de capital nacional
Enquanto o Estado está preso às suas fronteiras o capital se volatiza, gerando uma evasão de lucro e novas rentabilidades.
Esta economia global é limitada a uma minoria restrita
6.Quais as consequências da globalização?
A primeira grande consequência é o surgimento das grandes corporações economicas. Formação de tres megablocos: América do Norte, União Européia, Tigres Asiáticos.
O mundo bucólico da cidade tricêntrica (igreja - escola -praça) da lugar às selvas de pedras com edifícios.
O historiador ingles Hobsbawn, compara o mundo atual ao mundo medieval
"Os grandes senhores feudais do mundo atual são as corporações econômicas. Vivemos um momento muito particular: o Estado continua sendo importante, indispensável... Mais que isso: dirige também a distribuição nacional da renda. E não somente o Estado o faz. Nos últimos 20 anos, a conversão de regiões ricas em regiões pobres tornou-se uma das maiores funções da união Européia. Mas ao mesmo tempo existem outros tipos de poderes, como as transnacionais. Ambos tem que coexistir Não é possível dizer: "O Estado já foi derrotado..." (Hobsbawm, FSP, 22.ó. 1 997).
Analistas Norteamericanos afirmam: "as forças do mercado estão em cada esquina do globo. Fronteiras nacionais parecem estar se dissolvendo à medida que mercadorias e informações se movem livremente...Esforços para encontrar no mapa um meio-caminho entre o torpor do socialismo e a inseegurança do capitalismo americano atundaram. O badalado modelo asiático, por enquanto está desacreditado..."(David Wessel e John Haarwood, "Capitalismo triunfante nos Estados Unidos precisa de limites? The Wall Stret Jounal do Brasil, l8.5.98 p. 14
Um ex-secretário da Educação dos EUA, William Bennet afirma: "o que me preocupa e a idolatria do mercado. O capitalismo desvairado pode não ser um prolema para a produção e a expansão do bolo econômico, mas é um problema para os seres humanos è un problema para o terreno dos valores e relacionamentos humanos porque distorce as coisas".
Há numerosas empresas com capital muitas vezes superior ao PIB de muitos paises.
Por outro lado, busca-se se implantar um modelo único de desenvolvimento. Em recente reunião dos grandes paises, em Denver, Clinton conclamou os paises a seguirem o exemplo dos Estados Unidos em relação ao modelo de crescimento. Foi mais longe, chegou a propor aos seu convidados a vestirem-se como ele próprio, trajado de caubói americano. Isto mostra muito bem a concepção: seria a uniformização total. É a explicitação do objetivo maior: a imposição dum modelo único de desenvolvimento desrespeitando a história e a identidade de cada povo.
Para Touraine "o erro mais palmar seria crer que a abertura internacional das economias e as revoluções tecnológicas permitem apenas um único tipo de sociedade a que os Estados Unidos dão o exemplo mais bem sucedido - a ponto de os dirigentes e a opinião pública deste pais persuadirem-se cada vez mais de que seu modelo é o único possivel e que os outros paises não tem outra escolha senão imitar os EUA ou, então, mergullar no subsesenvolvimento" ( Touraine, Alain. A Consciência Tranquila de Clinton. Folha de São Paulo, Sao Paulo. 13.7.1997). E o mesmo autor continua: "Cada pais, ao contrário, deve eleger a política social compativel com a nova situacão econômica, mas que corresponda também às exigências da sua sociedade e de sua vida politica"(Id. Ibidem).
Gostaria de chamar a atenção para um outro ponto: vivemos uma nova noção de tempo. O tempo se contrai. Vivemos o imediatismo. Chesnaux nos diz que "impõe à nossa vida cotidiana as formas diversas de instante. O fastfood é preparado tão rápido quanto é consumido, desprezando a arte tradicional dos cozidos gradualmente na duração, a diferente maturação dos gostos e dos sabores, a combinação dos ingrediantes que precisam de tempo para se harmonizar progressivamente. Os relógios "digitais" não são capazes de indicar o tempo como duração, mas somente o instante pontual, por isso efêmero, enquanto que o movimento dos ponteiros sobre o mostrador tradicional inscrevia o tempo no espaço e tornava perceptível a sua progressão; cada momento se definia em relação com o anterior e o posterior, um passado e um futuro" (Chesnaux. Jean. Modernidade Mundo. Petrópolis: Vozes.,1995, p 23.)
Criou-se a ética do instante, o culto do descartável, o frenesi da obsolecência (Idem, ibidem. P 23). O lema do TGV frances é: "Ganhar tempo sobre o tempo".
Na bolsa de Nova York a cotação do dólar não é mais diária mas a cada 30 segundos.
O tempo se tornou ininterrupto.
Não nodemos andar a pé pois nerdemos o ritmo do tempo.
Correlato com o tempo coloca-se a questão do espaço.
A globalização criou uma nova noção de espaço. O mundo tornou-se uma aldeia. Umc aldeia global. As migrações se intensificaram. Há uma desterritoririalização do capital e das pessoas. Milton Santos afirma:
"Nos primórdios da história registravam-se alterações isoladas, ao sabor das civilizações emergentes até que o processo de internacionalização cria em diversos lugares feições semelhantes. Agora conhecemos uma tendencia à generalização à escala do mundo dos mesmos objetos geográficos e das mesmas paisagens. A globalização leva à afirmação de um novo meio geográfico cuja produção é deliberada e que é tanto mais produtivo, quanto for maior o set contoúdo em ciência, tecnologia e informação... Até recentemente a superfície da terra era utilizada segundo divisões criadas pela natureza ou pela história, chamadas regiões, e que de um modo geral constituiam a base da vida econômica cultural e não raro política. Hoje graças ao processo das técnicas e das comunicações, a esse território das regiões superpõe-se um território das redes... Se espalham por todo o planeta. Essas redes são a base da modernidade atual, e condição de realização da economia e da sociedade global" (Santos Milton. Geografia, FSP SP 13.4.1997).
Sobre o século XX Hobsbawm afirma:
"O grande legado foi o progresso material científico...Houve uma transformação material do mundo e uma notável melhoria não somente na possibilidade de vida dos seres humanos en uma grande parte do mundo. Mas também no que toca uma melhor qualidade de vida. Vivemos de uma forma mais saudável, estamos mais fortes, menos doentes do que antes Esta é uma heranca absolutamente importante." (Hobsbawm, FSP 22. 6. 1997).
"Outra herança importante é o deslocamento geográfico do centro do mundo. Anteriormente ele estava na Europa ou nas margens do Atlantico. Atualmente está na Ásia e na América...Os problemas que tivemos neste século na Europa e no Ocidente agora vão se deslocar para a Asia" (Hobsbawm, FSP 22.6. 1997)
Outra consequência da globalização é o desemprego, como fenômeno mundial.
Alguns dados confirmam como nos últimos anos o problema se agravou, elevando sobremaneira as taxas de desemprego, especialmente nas áreas do antigo Terceiro mundo:
Estados Unidos: 1981: 8% . 1996: 5,5%, num total de 7 milhões de desempregados.
Japao : 1985 : 2,ó% . 1993 : 2,5%.
Uruguai: 1993: 8,3% . 1996: 10,7%.
México: 1981: 4% . 1995: 7% .
China: 1985: 1,8% . 1994: 2,8% . (O volume da população chinesa 1.250.000.000)
Brasil: 1989: 3,7% . 1996: 5,42%.
Suécia: 1981: 3% . 1995: 7%.
França: 1981: 7% . 1995: 12,8%.
Alemanha: 1981: 4%. 1995: 10,ó%.
Espanha: 1981: 14% . 1995: 23%.
Itália: 1981 : 3% . 1995: 12,2%.
India: 1996: 23% .
Argentina: 1981 :14%. 1995: 23% . (Fonte: Moraes, Jaime Luccas de. Globalização e Desemprego. Cidade Nova. São Paulo. Ano 39, n. 4, abril 1997.P.12-13
Recente reunião do G8 dos paises ricos: grande preocupação com o desempregc estrutural.
Outra consequência: surge uma nova ética. Um cientista italiano afirma: "a máquina da globalização propõe comportamento e impõe regras que vão além das restritas dimensões nacionais da nossa concepção de cidadania; para as novas regras éticas, que impõem por exemplo, relações de interdependência social (da vida ativa em geral) que desconjuntam a moral individualista herdada; ou ainda pela ética da família e da reprodução familiar, nas quais os costumes estão largamente ultrapassados pelas ciências médicas, e em breve, pela engenharia genética. Esses são exemplos elementares do nosso incômodo hoje. O futuro conflita abertamente com o presente, e sua desmedida é evidente" (Antônio Negri. A desmedida do mundo. Folha de São Paulo.20.9.1998, cad.Sp. 3). E acrescenta "a máquina da globalizacão propõe comportamentos e impõe regras que vão além das restritas dimensões nacionais da nossa percepeção de cidadania; para as novas regras éticas, que impõem por exemplo, relações de interdependência social (da vida ativa em geral) que desconjuntam a moral individualista herdada da educação tradicional, ou da ética da família e da reprodução familiar, nas quais os costumes estão largamente ultrapassados pelas possibilidades das ciências médicas, e em breve pela engenharia genética. Esses são exemplos elementares do nosso incômodo de hoje. O futuro conflita abertamente com o presente, e sua desmedida é evidente" (FSP 20.9.1998, mais, p.3)
Aplica-se a regra do Leopardo: mudar tudo para não mudar nada.
Degrada-se as relações humanas, de trabalho, da ética...Mercantiliza-se a informacão, c política, o voto....
Outra consequência: Gerou-se uma grande Concentração da Riqueza. O Capital se tornou volátil.
"Na década de 90, o sul já transferiu para o norte, mais de 20 bilhões de dólares por ano, ou seja em cinco anos 100 bilhões de dólares ... A distribuição da renda em nível mundial é inaceitável: 71 % da população do planeta recebem apenas 15% da renda global, e os 10 % mais ricos tem mais de 50% da renda global. E mais estarrecedor: apenas 358 bilionários controlam as principais fontes de riqueza do mundo e decidem a sorte e o futuro da liumanidade. O PNB médio per capita do Norte é 18 vezes superior ao do sul" ( Melo, Zuleide Faria de. A Falácia do Discurso neoliberal. Revista de Educação.AEC.Brasilia. julho-setembro n. 100, 1996.pp. 19-20) No caso do Brasil, Roberto Marinho, por exemplo, de 1996 para 1997, aumentou a sua riqueza de 2 para 3 bilhões, e no mesmo período, Antônio Ermírio de Morais passou de 6 para 7 bilhões, segundo recente número da revista Forbes.
Estamos, segundo a expressão de um sociólogo alemão, gerando fome em abundancia.
Outra consequência: tendencia à homogeneização O pensador norte-americano afirma: "Há uma tendência, que a meu ver, é terrivelmente negativa: a homogeneização, em que as demandas de capital e da distribuição estrangulam a criatividade... Houve um aumento dc consumismo e um descréscimo de solidariedade. Penso que os frutos da globalização não estãc sendo repartidos da maneira que deveriam, o que indica um insuficiente controle sobre este fenômeno" (FSP 30.8.1998).
Regis Debray afirma: "Farei simplesmente uma observação de bom senso. O mercado cria riquezas, mas não pode redistribui-las. Para isso é necessário um Estado que não se confunda com o capital. Sem uma ação política corajosa e voluntarista, a dinamica do mercado se converte em ditadura do mercado sobre todos os setores da vida. Isso é que se precisa evitar" (Regis Debray, FSP 30 de 8 1998). Idem uma nova divisão do trabalho entre o norte comunicador e o sul sofredor. "O sul entra com os mortos, o norte faz os filmes" (idem, ibidem).
Outra consequência: a diminuição da solidariedade.
"A atual política representou o mais radical processo de destituição de direitos da história brasileira, jogando a maioria da população na economia informal exluindo-a dos direitos elementares e assentando um golpe profundo nos mecanismos de solidariedade social" (Emir Sader, FSP, 9.9. 1998 ,p. 9 Mais).
Antonio Negri, falando sobre a unificação da moeda europoia: " Ao nascer a Europa do euro, aparece como uma provincia, talvez bem administrada, com certeza rigidamente homologada pelas normas do império mundial do mercado capitalista. Toda a alternativa possivel e toda a esperança foram arrancadas e esvaziadas. Para aqueles que esperaram a vida toda pela unificação da Europa, investindo nisso esperança, o que se obtém é realmente mínimo" (FSP, 2.8.1998, mais, p.3)
Num mundo globalizado também surgem problemas globais, mundiais por consequência. Podem ser enumerados ao menos tres grandes problemas em escala planetária: a questão dc meio ambiente, o problema da população ,e a globalização da economia
7. TEOLOGIA NA GLOBALIZAÇÃO
Neste contexto como ficam as questões sociais? Como fica a questão da saúde? Como fica a questão da educação? Como se coloca a teologia?
O sociólogo alemão Ulrich Beck em livro lançado recentemente afirma: "O deus da modernidade plenamente estabelecida é a dúvida - a solidão primeva da pessoa confrontada apenas consigo mesma e o seu fracasso refletido. A dádiva final que este deus reserva para aqueles cujo propósito consiste em ser-lhe semelhante é a dúvida. Ela e talvez, somente ela, torna possivel transferir o dogmatismo do modo de vida e produção industrial para a autolimitação refletida dos modos de vida e produção pós-industrial", e completa dizendo que há necessidade de fabricar artificialmente a certeza para dar cabo da sociedade de riscos....(FSP 17.5. l 998, mais, p.3)
Neste contexto, constata-se uma perda da autonomia política dos paises dependentes.
Existe uma aspecto fundamental que merece ser examinado: supervalorizacão da cultura da juventude. No passado não demos o devido valor à juventude hoje porém há um fenômeno novo: "Ser jovem virou slogan, virou clichê publicitário, virou imperativo categórico, condiçãc para se pertencer a uma certa elite atualizada e vitoriosa...ao mesmo tempo a juventude se revelou um poderosissimo exército de consumidores, livres dos freios morais e religiosos que regulavam a relação do corpo com os prazeres, e desligados de qualquer discurso tradicional que pudesse fornecer critérios quanto ao valor e à consistência digamos, existencial, de uma encurrada de mercadorias, tornadas da noite para o dia, essenciais para nossa felicidade" (Maria Rita Kehl, psicanalista FSP20.9. 1998, mais, p. 7). Quanto mais tempo pudermos nos considerar jovens, hoje em dia melhor.
"A forma como funciona nossa economia e nossa cultura, é de um presenteismo constante. Ar mesmo tempo mudaram as formas tradicionais por meio das quais se vinculavam as gerações entre as experiências dos pais, dos avós e dos mais jovens. Há menor continuidade da experiência. Ninguém consegue compreender a forma em que vive ou viveu o outro, nem os pais nem os filhos". (Hobsbawn, Folha de São Paulo, 22.6. 1997). (
Hobsbawm afirma: "Na minha juventude, havia no Reino Unido um milhão de mineiros. Hoje há mais professores universitários que mineiros". (Idem ibidem).
"Mas ao mesmo tempo as pcssoas estão conscientes deste divercio com o passado. É que o passado é uma dimensão de cada vida humana, de cada vida social. Sem passado, sem memória, não se pode viver." (Idem ibidem).
Há uma certa má consciência diante da experiência da vida e uma desconfiança diante do fato inevitável de um certo perfil existencial definido para quem tem 40 ou 50 anos. É verdade que o desenvolvimento da medicina fez com que pessoas de 40 ou 50 tenham aparência de 20 anos menos, algumas gerações atras. Contudo isto não justifica que os adultos queiram viver nesta idade as experiências que não tiveram na adolescência. Uma psicanalista afirma: "O adulto que se espelha em ideais teen se sente desconfortável ante a responsabilidade de tirar suas conclusões sobre a vida e passá-las a seus dependentes. Isto significa que a vaga de adulto em nossa cultura está desocupada... Esta liberdade cobra seu preço em desamparo: os adolescentes parecem viver num mundo cujas regras são feitas por eles e para eles, já que os pais e os educadores estão comprometidos com uma leveza e uma nonchalance jovem.... Não que os pais de antigamentc soubessem como os filhos devessem enfrentar a vida, mas pensavam que sablam e isso era suficiente para para delinear um horizonte, constituir um código de referência..." e continua:
" a desvalorização da experiência esvazia o sentido da vida... A experiência assim como a memória, produz consistência subjetiva. Eu sou o que vivi. Descartado o passado, em nome de uma eterna juventude, produz-se um vazio dificil de suportar". (Maria Rita Kell, FSP, 20.9.98).
Bobbio, na sua autobiografia: compara o conhecimento na sua juventude e na sua idade adulta e na velhice.A transferência do conhecimento para os jovens...
Há uma verdadeira cultura de si mesmo: Egonomia. Até há pouco a padronização. Hoje a identificação pessoal. Busca-se a personalização dos produtos. ( Poncorn p. 60).
Observa-se uma extrema importancia da informática. Nossa memória está fora de nós. Está na memória dos computadores.
Aqui coloca-se uma questão essencial: que categorias vamos utilizar? Será o econômico o determinante? Se assim for a questão posta já está resolvida pela lógica da própria orden estabelecida, ou seja a sociedade global como acabamos de ver.
No bolo deste processo desenvolve-se a doutrina neo-liberal.
* que é o neo-liberalismo? Para saber o que é o neoliberalismo precisamos saber o que o liberalismo.
Como surge o liberalismo?
Surge especialmente a partir do pensamento de Locke, Rousseau, Montesquieu, Diderot, D'Alembert,. E defende cinco principios básicos: propriedade, individualismo, liberdade, igualdade, democracia.
"No momento o Brasil adota a atricanização como como indicio de modernizacão e progresso. O Neoliberalismo é o capitalismo que perdeu todos os escrúpulos" (Olgária Matos.(professora da USP). Das formas modernas do atraso. In Folha de São Paulo. São Paulo: 27.9.1998, cad.1 p.3)
Como consequência observamos a ascensão da burguesia ao poder defendendo os novo ideais burgueses. Entre os precursosres destaca-se Adam Smith que defendia liberdade total de mercado com as chamadas leis de chumbo e a livre concorrência sem intervenção do Estado.
Segundo Anderson "o neoliberalismo nasceu logo depois da Segunda Guerra mundial, na região da Europa e da América do Norte onde imperava o capitalismo. Foi uma reação teórica e politica veemente contra o Estado intervencionista e de bem-estar. Seu texto de origem é O Caminho da Servidão de Friderick Hayek, escrito já em 1944. Trata-se de um ataque apaixonado contra qualquer limitação dos mecanismos de mercado por parte do Estado. denunciadas como uma ameaça letal à liberdade, não somente econômica mas também política" ( Anderson, Perry. Balanço do Neoliberalismo, in Pos-Neoliberalismo. Rio de janeiro: Paz E Terra 1995 p. 15).
Pode-se resumir neoliberalismo como o seguinte axioma: "O mercado é, em si uma instituição perfeita para solucionar o problema econômico em sociedades modernas. O que está faltando é implementá-lo em termos totais" (Oliveira, Manfredo Araujo de. Neoliberalismo e Ética. in Neoliberalismo e Pensamento Cristão, Petrónolis. Vozes. 1994~ o. 1 1).
Os primeiros passos para a implantação se delineiam após a grande crise de 1973.
Delineia-se já o novo programa. Em 1979, Thatcher, dá os primeiros passos. Em 1980 é Eleito Reagan nos Estados Unidos, e Khol na Alemanha em 1982. Em 1983 chega ac poder Schutler na Dinamarca.
Estava assim aberto o caminho para a direitização das politicas econômicas. Quais as medidas tomadas pelo Governo ingles, por exemplo?
Segundo Perry Anderson professor da Universidade da Califórnia,
"O modelo ingles foi ao mesmo tempo o pioneiro e o mais puro. Os governos Thatcher contrairam a emissão da moeda, elevaram as taxas de juro, baixaram drasticamente os impostos sobre os rendimentos altos, aboliram controles sobre fluxos financeiros, criaram níveis de desemprego massivos, aplastaram greves, impuseram uma nova legislação anti-sindical e cortaram gastos sociais. E finalmente- esta foi uma medida surpreendentemente tardia - se lançaram num amplo programa de privatização , começando por habitação pública e passando em seguida por indústrias básicas como o aço, a eletricidade, o petróleo, o gás e a água" (Anderson. P. idem. P. 12)
Os demais paises implantam programas semelhantes a seu modo. A queda do muro de Berlim apressa o processo. Há uma relação muito estreita com o processo de globalização.
Veja-se o atual modelo brasileiro de crescimento econômico. Neoliberalismo: retoma as velhas idéias liberais: Defende o Modelo de desenvolvimento liberal. Quais os princípios básicos?
As consequências já comecam a ser sentidas a nivel de salário, emprego, saúde transportes, educação... Veja-se o caso da reforma de educação do Chile....
O mais recente fenômeno do mundo da economia que ameaça os paises pobres seria um avanço para o ultraliberalismo: O Acordo Multilateral de Investimenos AMI OU MAI (Multilateral Agreement on Investment). Segundo Le Monde Diplomatique seria "o novo manifesto do capitalismo mundial" visa-se uma economia mundial unificada. Trata-se de um acordo que está sendo discutido desde 1995 entre os membros OCDE (Organização para a Cooperação e o desenvolvimento Econômico). Este organismo reune os 29 paises mais ricos do mundo. Trata-se dum tratado de comércio que autoriza as empresas multinacionais e os investidores a processar governos - em cortes escolhidas pelas empresas para obter concessões financeiras por causa de politicas ou acões desses governos que teriam como efeito a diminuicão de seus lucros. Segundo o acordo, tudo o que possa diminuir a rentabilidade das empresas pode ser cobrado dos governos. Até movimentos de protesto, de boicote, as liberdades sociais, a reforma agraria. O texto está praticamente pronto, devendo ocorrer durante o presente mês de outubro uma nova rodada de negociaçoes para encaminhar as próximas etapas. As imposicões são de tal monta, que terminariam com noções como de interesse público e soberania das nacões. Seria a ditadura explícita do capital em todo o mundo. (Análise de Conjuntura CNBB, 1998, p. 18-19).
Poderíamos dizer que "a história deixa de ser regida por sujeitos conscientes e passa a ser dirigida e conduzida por estruturas anônimas. Aliás, a realidade mesma é em última instancia estas estruturas impessoais. São estas estruturas que produzem os homens; elas constituem a substancia de suas vidas, por isto os verdadeiros agentes da história, já que não são os homens que controlam estes mecanismos, mas antes estes mecanismos que dirigem a vida dos homens". (Oliveira, Manfredo Araujo de. Op. Cit. P. 30).
As relações sociais se fundamentam em outra ordem de valores. O homem não é simplesmente o homo faber, não é só econômico, há outros espaços, aliás os essenciais. Como afirma Jung Mo Sung: "Apesar de ideólogos do capitalismo afirmarem que já passou o tempo das ideologias e da politica, existe este espaço mas ele não é muito grande. Questões econômicas são importantes mas não esgotam a realidade humana. Além disso, mesmo no interior das relações econômicas encontramos questões politicas e existenciais. Um exemplo: no capitalismo, toda a produção é voltada para a satisfação do desejo dos consumidores. O universo do desejo é muito complexo, nele se encontram a psicanálise, a antropologia, a religião, as relações sociais etc. A tentativa de fazer de categorias econômicas o critério absoluto das relações entre grupos e povos não tem sustentação na economia. No fundo é uma postura ideológica e politica. O que mostra que não é possivel acabar com este espaço de debate. O que precisamos é criar novas categorias, capazes de incluir questões como autodeterminação, dignidade humana e valores éticos e espirituais neste debate sobre a globalização" (5).
Cabe perguntar quc tipo de TEOLOGIA tem lugar no mundo da globalização'
"O ser do homem é em primeiro lugar um ser-no-mundo, isto é em primeiro lugar um ser na totalidade dos seres. Esta totalidade nos é sempre dada, mas ao mesmo tempo ela é também, tarefa na medida que devemos construir nosso próprio mundo, a forma especifica da totalidade somos e lutamos por conquistar nosso ser. Assim a verdadeira realidade não é algo já acabado, mas algo essencialmente aberto, por vir, inclusive também através de nosso empenho" (Oliveira, M. A de . op. Cit. P. 34).
Primeiro ponto: o mundo é dinamico. A realidade é resultado dum processc humano.É resultado das ações dos homens.
Por outro lado, também se encontra em pocesso, in fieri, o homem é incompletude. O homem se constrói no mundo. É o único ser que se faz e portanto se define e se modifica."Enquanto seres contingentes, nunca somos prontos; estamos, em principio, abertos a novas configurações de nosso ser." (Oliveira, op. Cit. P. 35)
Somos portanto seres en devenir. Nos constituimos ao longo da história.
Segundo ponto: o homem é ser que pode definir sua vida.
Para poder definir sua vida o homem dispõe fundamentalmente da capacidade de decidir e discernir seu futuro, o que implica em dizer que o homem é um ser livre. "Seu ser é , enquanto tal, abertura, indeterminação, o que em nossa tradição de pensamento é o primeiro nome de "liberdade"... Liberdade é a chance permanente de novas configuracões, de nós mesmos e de nossas configurações históricas de vida". (Oliveira, op. Cit. P. 35). A liberdade é portanto uma qualidade intrinseca do nosso ser, para poder ser é necessário ser livre.
Terceiro ponto: o homem é um ser livre.
Sendo um ser no mundo o "homem é um ser do diálogo universal com os seres, pelo fato de ser aquele no qual o sentido se questiona e se articula. O sentido emerge na fala do homem, e enquanto falante o homem é, essencialmente, um ser-com-o-outro, isto é eo essencial relação com outros homens. Neste sentido estrito, o homem é um ser do diálogo e assim sua liberdade é essencialmente dialógica" (Oliveira, id. P. 36). A partir de tal ponto estabelece-se uma relação entre sujeitos, portanto, a intersubjetividade.
Quarto ponto: o homem é ser do diálogo.
A construção da história implica portanto em construir com os outros homens. É portanto constitutivo do homem a alteridade: ou seja a definição do ser com o outro. O outro não é o inferno para mim (Sartre), mas o outro é a possibilidade de configuração.
Portanto nossa tareta se expressa na necessidade de dever ser: "temos que ser, isto é, de descobrir, de produzir criativamente uma configuração de nosso próprio ser... a história se revela como o espaço de luta pela efetivação do incondicional na contingência" (idem ibidem, p/37-38)
Quinto ponto: o homem é portanto um ser carente. Carente de construir seu próprio projeto.
Aqui coloca-se uma questão fundamental, essencial: "A escolha entre a possibilidades tem um ponto de referência fundamental: a ligação ou não com o projeto básico de vida. Trata-se, concretamente, de saber entre os diversos fins contingentes que se oferecem à escolha dos homens, que fins efetivam ou não sua vida". (Idem, ibidem, p. 40)
Sexto ponto: A escolha refere-se ao proieto básico de vida.
A partir destas colocações concluimos que o homem tem um fim em si e portanto como tal é o único que busca o lugar no mundo. Para concluir esta parte diriamos que "liberdade não é um estado de plenitude, mas um devir. Portanto, não é uma situação alcançada de uma vez para sempre, mas um processo de conquista, portanto um processo de libertação, enquanto processo de efetivação da liberdade, mas contingência da história... O homem é pura possibilidade... O homem é esta tensão permanente entre o horizonte de infinitude e efetividade finita de sua mediação histórica. Assim, sua história é a permanent~ luta pela passagem da infinitude de horizonte para a finitude das realizações contingentes". (idem, ibidem, p. 45).
Portanto as escolhas de vida se colocam no horizonte do próprio ser humano implicando portanto na escolha do seu mundo . A liberdade significa o processo de construção do seu mundo como o seu espaço próprio: é o lugar da possível humanização de homem. Isto implica em responsabilidade pelo seu mundo.
E aqui que entra a TEOLOGIA.
A concepção de teologia está diretamente relacionada com a concepção de homem
TEOLOGIA configura o homem. O Homem se faz ser homem.
É um processo social: refere-se à sociedade como um todo. É determinado pelo interesse que move a sociedade.
Processo contínuo e permanente: trabalha com elementos passageiros e permanentes Incorporação de hábitos: in corpore: colocar no corpo. Começa quando o homem nasce e temin~ com a sua morte.
É um processo consciente. A consciência é algo próprio e excluisvo do homem. Trabalha a questão mais radical do homem: a consciência. Homem é um ser crítico. Homem enquanto ser racional pode se educar. Educação trabalha a possibilidade humana
A TEOLOGIA muda a pessoa humana: por isso precisamos ter um modelo de homem. Que pessoa humana queremos formar? Egoista ? Vencedor ? Pessimista? Humano ? Solidário ? Competente?
A teologia é essencial. Atinge o próprio ser do homem.
O homem é um ser inacabado pois se constitue pela história.
A Teologia trabalha o inacabado,o incompleto,o infinito.
O homem é um ser livre. A teologia trabalha esta liberdade.
O homem é um ser criador.
A teologia se torna um instrumento de realização do homem como ser social.
Oferece alternativas para desenvolver os projetos humanos.
Muda a condição humana do indivdiduo que adquire o sentido do ser.
Altera o ser do homem. O individuo que adquire este sentido passa a ver o mundo e a si mesmo de maneira diferente.
Por isto a teologia é transformadora. O essencial não o contingencial.
A T. é substantiva e não adjetiva ou ornamental. Transforma a existência do proprio povo.
Nisto está a grandiosidade: humanizar os homens.
O homem como ser interveniente no mundo.
É subjetiva. Não há um objeto x sujeito.
Dar esta consciência:
vocês cuidam dos homens e constróem a vida humana.
Mudanças no mundo familiar: desvinculação de fecundidade e sexualidade.
"As famílias se mantém estáveis. Mas quando ocorre dentro delas uma ruptura, ocorre também uma ruptura com a religião. As religiões hoje têm como caracteristica o fato de não serem para toda a vida. Você vai mudando de acordo com a necessidades. É comum migrar de uma igreja para outra."
Quando se procura saber do convertido a razão de sua conversão, ele responde: "alguém me levou".
"os católicos estão reduzidos a 75% da população, o que ainda é bastante, mas bem menos que o 90% de 30 anos atras. Os pentecostais, os afro-brasileiros e dezenas de outras formas de religiosidade cresceram em cima do catolicismo"
"A religião se tornou um tipo de serviço, uma forma de auxílio, como a medicina preventiva, psicanálise a psicologia".
Criou-se o termo "teologia da prosperidade" que se originou de uma corrente evangélica norteamericana.
Há uma tendência do tipo "do yourself" faça você mesmo, em que cada um monta sua própria religião.
"Crise não aumenta busca por religião, diz sociólogo" Folha de São paulo. São paulo, 27.9.1998 cad p 4
Pesquisa feita pela UNB em Brasília, revela que a maioria dos adeptos das chamadas religiões não-tradicionais, tem formação superior, menos de 28 anos, trabalha fora e mora no plano piloto região de poder aquisitivo mais alto. Uma das consequências desta elevada escolaridade é a suposição de que as práticas religiosas ocorreu por livre vontade. "O sujeito dos grandes centros urbanos vive seu cotidiano na tentativa de unir a ciência a alguma forma de pensamento mágico." Silas Guerreiro, Puc sp Fsp 27 9 98. Cad.1 P 4
UNESCO: Relatório sobre a educação no mundo: Uma matéria nova: Conhecer-se a si mesmo.
Jovens franceses: 78% julgavam muito importante ter um ideal. 14% ganhar mais dinheiro.
Segundo um autor portugues vivemos hoje duas grandes crises: a crise da política e a crise da religião.
Crise na politica: dois cadáveres:
o do comunismo
o do neoliberalismo
Crise na religião: sintomas superficiais:
Je vous salue Marie
A última tentação
Corpus Christi
Canadá: Igrejas vazias
Nós mesmos
Pentecotalismo
Caso da Califórnia: a cada sete dias surge uma nova seita
Ideal:
os operários para produzir
Os homens para viver
Perda das referências: locais e universais
Antes a TORRE DA IGREJA: AGORA UMA MULTIPLICIDADE DE TORRES (SUPERMERCADOS, INDUSTRIAS, COMERCIO...)
Jean Guiton: Século XXI será profundamente relicioso... Século XX destruiu as utopias e sonhos: Foi o mais curto, mas o mais sangrento.
A PRIMEIRA GRANDE GLOBALIZAÇÃO FOI A GUERRA MUNDIAL.
Os cristãos eram poucos no inicio: Paulo VI: Eangelium Nuntiandi: O homem do século XX é mais sensível ao exemplo do que às palavras.
Crise de Paradigmas:
O futuro não é mais o que era. Anônimo
PRINCIPIOS
Segundo os fisicos o nosso corpo traz em si a história do universo. Todas as células são tecidas por moléculas feitas de átomos engendrados no Big-Bange cozinhados no calor das estrelas.
Somos feitos de matéria estelar. Na intimidade atômica somos particulas de estrelas.
notas
1). Kurz, Robert. Perdedores Globais, Folha de São Paulo, São Paulo, 1. 10.1995, 5-9.
2). Arruda,Marcos. Globalização e Ajuste Neoliberal: Riscos e Oportunidade. Tempo e Presença. Brasilia, p.6
3). Ianni, Octávio. A Sociedade Global. 4.Ed.Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996 p.35
4). A este respeito vejam-se os comentários de Ianni, na obra supracitada p.58.
5). Castro, André Barros de. O Alto Preço da Globalização. Cidade Nova, SãoPaulo,ano XXXVII, n.ó, junho 1995, p.5 grifo nosso.
6).Gastaldi, Italo. Educar e Evangelizar na Pós-Modernidade. São Paulo: Salesiana Dom Bosco, 1994, p.59.
7). Gastaldi, op. Cit. P. 59
8). In Gastaldi, op. Cit. P. 28